Este é o melhor primeiro encontro possível com Nápoles: a rua que os napolitanos chamam de Spaccanapoli, a que "racha Nápoles", pelo corte que faz na malha da cidade, e que no trecho mais representativo se chama Via San Biagio dei Librai. Vista do alto, do mirante de San Martino, a linha é inconfundível: começa na região da Pignasecca, atravessa todo o centro histórico passando pela Via Toledo, pela Piazza del Gesù Nuovo, pela Piazza San Domenico Maggiore, pela Via San Gregorio Armeno e pela Via Duomo, e termina perto do Castel Capuano. No fim da tarde, com a pedra de lava ainda morna e as lojas acendendo as luzes, é a hora certa de percorrê-la sem pressa: oficinas de artesanato, confeitarias caprichadas, as célebres lojas de presépios e os bares que fazem desta uma das ruas mais vivas da Europa. Goethe, que passou por aqui na sua viagem pela Itália, escreveu que Nápoles é um paraíso onde cada um vive numa espécie de embriaguez esquecida de si, e é exatamente essa embriaguez que se sente ao caminhar. Quem gosta de barroco deve parar na Piazza del Gesù Nuovo: a fachada da igreja, com seus blocos de piperno em ponta de diamante, é uma das imagens mais fortes da cidade.
Notas
Andem a pé e com os bolsos fechados: nos horários de maior movimento esta é a rua clássica dos batedores de carteira. As calçadas são estreitas e irregulares, então calçado firme é essencial. O Ospedale delle Bambole, ateliê histórico onde bonecas antigas são "tratadas", é uma parada inesperada para quem gosta de oficinas artesanais.