Nada prepara você para o interior da Basílica de São Marcos. São cerca de oito mil metros quadrados de mosaicos, nas cinco cúpulas, nas paredes e nas abóbadas, revestidos de ouro por artistas venezianos que assimilaram a linguagem bizantina e a fundiram com o Ocidente — o resultado é aquela luz suspensa, irreal, que faz o interior parecer maior do que é. Repare na divisão típica das basílicas bizantinas: a parte alta, inundada de luz dourada, lembrando o mundo divino; a parte baixa, mais escura, lembrando o mundo terreno em que caminhamos.
A história aqui é quase tão densa quanto o ouro. As relíquias do evangelista Marcos foram trazidas de Alexandria no século IX por dois mercadores venezianos que, diz a tradição, as esconderam sob camadas de carne de porco para passar pelos guardas; e os quatro cavalos de bronze da fachada chegaram depois do saque de Constantinopla de 1204, na mesma expedição que transformou Veneza numa potência do Mediterrâneo. Para quem ama mosaicos bizantinos, esta é a meia hora mais intensa da viagem: escolha um banco, sente-se e deixe os olhos subirem pelas cúpulas.
Notas
Regras de acesso: ombros e joelhos cobertos, só mochilas pequenas (há guarda-volumes por perto) e silêncio. Reserve on-line um ingresso com dia e hora marcados e vá logo cedo. A basílica é também um lugar de culto, então há momentos em que a visita turística não é possível — vale confirmar o horário do dia antes de sair do hotel.