O primeiro passeio devia ser exatamente este: a avenida onde a burguesia catalã do fim do século XIX mandou construir sua vitrine de modernismo, e onde três arquitetos rivais ergueram casas lado a lado no quarteirão que ficou conhecido como Illa de la Discòrdia — a maçã da discórdia, numa brincadeira com o mito grego. Num mesmo trecho, entre Carrer d'Aragó e Carrer del Consell de Cent, convivem a Casa Lleó i Morera, de Domènech i Montaner, a Casa Amatller, de Puig i Cadafalch, e a Casa Batlló, de Gaudí. Ver as três fachadas juntas explica, melhor que qualquer livro, como o modernismo catalão era disputa, vaidade e invenção ao mesmo tempo.
A poucos metros dali, no número 92, está a Casa Milà — La Pedrera —, a pedra esculpida em onda de 1906 a 1912, com balcões de ferro retorcido que parecem algas e uma fachada que, dizem, imita o movimento do mar. Para quem ama arquitetura e ama o mar, é o encontro perfeito: ferro forjado que imita espuma. Nesta primeira noite, olhe as fachadas com calma, repare nas cores do trencadís quando o sol de maio bate de lado e guarde o interior da Casa Batlló para amanhã ao fim da tarde, com hora marcada e sem pressa.
Notas
Bloco totalmente flexível: se o voo atrasar, faça só a Passeig de Gràcia e empurre o Port Vell para depois do jantar. A luz dourada da primavera chega à fachada da Casa Batlló no fim da tarde, então este é também o melhor horário para fotografar.