Agora erga os olhos para a concha da abside, porque este é o coração da visita. O que você vê é uma das grandes obras sobreviventes da arte cristã primitiva: Cristo sentado em majestade entre seus apóstolos. A datação exige cuidado — a maioria dos estudiosos situa o mosaico por volta do fim do século IV ou início do V, e uma forte tradição o liga aos pontificados do Papa Sirício e do Papa Inocêncio I, com Inocêncio creditado como seu comissário no início do século V. Você frequentemente ouvirá que é o mosaico de abside mais antigo de Roma; os mosaicos de Santa Costanza, de cerca de trezentos e sessenta, costumam ser considerados mais antigos. O que torna este excepcional não é apenas a idade, mas a qualidade, e o fato de ter chegado até nós — ele não sobreviveu intacto. Observe o que Cristo segura: um livro aberto, inscrito em latim com as palavras que significam 'o Senhor, preservador da Igreja de Pudenziana'. Essa palavra, preservador ou protetor, pode carregar a memória de um ano muito ruim. Depois do saque de Roma por Alarico, diz-se que esta igreja escapou do pior da destruição, e intérpretes ligaram esse escape ao título no livro. Trate isso como uma leitura sugerida, e não um fato provado — uma sugestão convincente, mas uma sugestão. Duas mulheres estão de cada lado, cada uma oferecendo uma coroa. A identidade delas é genuinamente disputada. Alguns as leem como Pudenziana e Prassede; outros, e muitos acham isso mais convincente, como alegorias: a Igreja nascida do judaísmo coroando Pedro, e a Igreja nascida dos gentios coroando Paulo. Observe também o estilo. Essas figuras não fitam o vazio como mosaicos posteriores, de influência bizantina. Elas se movem no espaço com um naturalismo próximo da pintura romana antiga, contra uma paisagem arquitetônica, com uma cruz cravejada de gemas e os símbolos dos evangelistas por perto. Restam dez apóstolos; os outros teriam desaparecido durante a reforma do século XVI.