Recuemos a meados do século XVI. Entre 1551 e 1565, a praça de forma afunilada que aqui existe substituiu uma mansão mais antiga, e no seu lado oriental erguia-se a primeira casa da moeda de Bruxelas, plenamente operacional. Foi desativada em 1649. É por isso que um teatro acabou levando a palavra Moeda no nome durante séculos. Depois chegou a catástrofe. Em 1695, o exército francês bombardeou Bruxelas, deixando um grande espaço vazio na cidade. O governante dos Países Baixos habsburgos na altura, Maximiliano II Emanuel, Eleitor da Baviera, viu uma oportunidade. Uma casa de ópera pública e permanente, destinada à corte e à cidade, foi construída aqui entre 1695 e 1700, como parte da reconstrução. As fontes divergem quanto ao autor do projeto. Uma aponta Gio Paolo Bombarda, tesoureiro e arquiteto italiano do Eleitor, e outra atribui o projeto aos arquitetos venezianos Paolo e Pietro Bezzi. Em qualquer dos casos, o nome da antiga casa da moeda ficou ligado ao teatro. A ópera francesa dominou o palco de Bruxelas ao longo do século seguinte, embora também tenham sido apresentadas regularmente óperas venezianas e outro repertório. E até meados do século XIX, peças de teatro eram representadas aqui ao lado da ópera, por isso este foi um teatro de muitas vozes.